Peritos apontam aliados internacionais que estimulam guerra no Sudão



O recrutamento estrangeiro e as redes de apoio externo alimentam a guerra no Sudão, reforçando as capacidades militares das partes beligerantes, que recorrem a operações cada vez mais sofisticadas.

A conclusão é do novo relatório da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos da ONU para o Sudão. O estudo sublinha os efeitos arrasadores desta interferência estrangeira para as comunidades no país.

Entidades facilitam movimento de armas no Sudão

A publicação “Alimentar o conflito no Sudão: armas, combatentes e redes de apoio externo” documenta a participação de entidades transnacionais em ações que alimentam o conflito entre as partes envolvidas no conflito.

© OIM
Consequências do apoio externo são sentidas com mais intensidade pelos civis

Os especialistas da ONU recolheram indícios da operação destes grupos a partir de países como a Colômbia e os Emirados Árabes Unidos. Eles facilitam a movimentação de armas e combatentes a partir de pontos de trânsito no Chade, na Líbia e na Somália.

O relatório dá conta de ações de recrutamento e treinamento de pessoal estrangeiro, mobilizado nas fileiras das Forças de Apoio Rápido, RSF, a par da movimentação de armas, tecnologia militar e apoio logístico.

Foram ainda verificados vestígios do uso de drones fornecidos por estes grupos nas operações das Forças Armadas Sudanesas, SAF, que terão sido responsáveis por ferimentos em civis e danos nas suas infraestruturas.

Apoio externo alimenta crimes de guerra

O presidente da missão das Nações Unidas, Mohamed Chande Othman, relembrou que os ataques contra civis constituem um crime de guerra.

ONU News
Ataques também contribuíram para a degradação da infraestrutura que permite o fornecimento de eletricidade e combustível

O representante realçou que as consequências do apoio externo são sentidas com mais intensidade pelos civis, na condição de vítimas de ataques a casas, hospitais, escolas, mercados e até mesmo locais de refúgio.

Em Darfur e Cordofão, onde o conflito é mais incisivo, a missão verificou a atuação de até 2 mil ex-militares colombianos que operavam diretamente drones de combate, artilharia e armamento avançado ao lado das RSF.

Ataques com drones armados arrasam estruturas civis

Em El Obeid, capital do estado de Cordofão do Norte, os ataques das RSF com drones armados entre julho e agosto vieram agravar as restrições existentes no abastecimento de água, no acesso à saúde e no deslocamento.

Estes ataques também contribuíram para a degradação da infraestrutura que permite o fornecimento de eletricidade e combustível, numa cidade fragilizada e sob cerco parcial.

Perante a piora dos combates, o líder do grupo apelou à comunidade internacional para que reforce a proteção dos civis. Ele pediu a adoção de medidas capazes de conter a ação das partes em conflito e das redes internacionais que alimentam as suas operações.

 



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