Por Dr. Oliver Tearle (Universidade de Loughborough)
O que conecta a palavra “feminino” com “masculino”, etimologicamente falando? Como surgiram esses termos correspondentes? As origens da palavra “feminino” merecem uma inspeção mais aprofundada, porque, como sempre neste blog, existem alguns fatos surpreendentes a serem descobertos na etimologia e na história de “feminino”.
Já discutimos anteriormente a interessante história da palavra “mulher”, que vem de duas palavras do inglês antigo que significam “esposa-homem”. ‘Mulher’, quando foi registrado pela primeira vez na escrita anglo-saxônica, foi traduzido como sem fio ou homem lobo. ‘Mulher’, que veio de duas palavras que significam ‘esposa’ e ‘homem’, originalmente significava ‘pessoa-mulher’ ou, se preferir, ‘pessoa-mulher’, se isso não soar muito circular e tautológico.
Mas de onde veio a própria “mulher”? A palavra ‘feminino’ pode parecer ter a mesma raiz da palavra correspondente ‘masculino’, mas na verdade a grafia de ‘feminino’ foi alterada para criar paridade entre a grafia das duas palavras.
Isso ocorreu na Idade Média: há casos de ‘masculino’ e ‘feminino’ rimando entre si desde o final do século XIV, indicando que a pronúncia de ‘feminino’ havia mudado para corresponder à de ‘masculino’ naquela época.
Nossa palavra moderna ‘feminino’ veio do francês antigo fêmeaque foi derivado do latim enviar (que significa ‘mulher’ ou ‘menina’). Esta palavra era, por sua vez, uma forma diminutiva do latim feminino (‘mulher’), o que nos dá a palavra ‘feminino’. Por outro lado, ‘masculino’ vem do latim machode masque significa ‘pessoa do sexo masculino’ ou ‘homem’.
‘Mulher’ tem sido usado como um termo depreciativo para a aparência ou comportamento afeminado de um homem, ou para se referir depreciativamente ao trabalho ou ações mais adequadas às mulheres do que aos homens, desde os tempos elisabetanos. Em Christopher Marlowe Dido, Rainha de Cartago (1594), Enéias comenta: ‘Talvez eu não dure esse trabalho penoso feminino.’ E em Shakespeare Ricardo IIum ano depois, Scroop comenta:
meninos, com vozes femininas,
Esforce-se para falar alto e bater palmas nas articulações femininas
Em braços rígidos e pesados contra a tua coroa.
Uma frase comum envolvendo a palavra ‘fêmea’ é ‘a fêmea da espécie’. Esta expressão existe desde o final do século XVIII, enquanto Rudyard Kipling nos dizia que “a fêmea da espécie é mais mortal que o macho” numa expressão Poema de 1911:
Quando o camponês do Himalaia encontra o urso em seu orgulho,
Ele grita para assustar o monstro, que muitas vezes se desviará.
Mas a ursa assim abordada dilacera o camponês com unhas e dentes.
Pois a fêmea da espécie é mais mortal que o macho.
(…)
E o Homem sabe disso! Sabe, além disso, que a Mulher que Deus lhe deu
Deve comandar, mas não pode governar – deve encantá-lo, mas não escravizá-lo.
E ela sabe, porque ela o avisa, e seus instintos nunca falham,
Que a Fêmea de Sua Espécie é mais mortal que o Macho.
Como substantivo – por exemplo, referindo-se a “mulheres” ou “uma mulher” em vez de “mulheres” – “feminino” tem sido usado desde o século XV.
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